A Adaptação_P.2



Os primeiros vinte dias em nossa casa foram intensos. Parei tudo o que fazia para também me adaptar a ele. Da mesma forma que uma mãe biológica tem sua licença maternidade. 

Logo nos primeiros dias, eu mal dormia. Tantas mudanças para nós também. Nunca, em 27 anos de casada, dormimos com a porta de nosso quarto aberta, esteve sempre trancada. Desde então, a porta fica entreaberta, a luz acesa no corredor e meus olhos e ouvidos atentos para qualquer resmungo, pesadelo ou mesmo um bocejo. No abrigo ele dormia sozinho, estava acostumado a ser colocado em um berço e a porta ser fechada. Ponto. No entanto, em casa, isso mudou. Para ter a segurança de que este é seu novo quarto - seu lar - percebemos que isso levaria um tempo e o respeitamos. Fomos conhecendo cada alteração de sua respiração ao dormir. 
E presenciar sua alegria ao nos ver pelas manhãs... Imagine a nossa!

Observações como o tempo de sono, os intervalos para refeições e lanches, como também, entender o seu ritmo, as suas dúvidas e tantas perguntas. Passamos a redescobrir o mundo com ele.

Obviamente, no momento de adaptação, há questões envolvidas: o medo de ser abandonado, de não nos agradar. Por exemplo: eu não podia sair de seu campo de visão (no máximo 5 metros de distância) que ele saía atônito a me procurar; a comer uma refeição inteira dizendo que gostava de tudo, sendo que depois, percebí, que alguns alimentos ele não tolera.

Uma das coisas que aconteceu foi um certo retrocesso. Após o banho pedia para ser embalado como um bebê, a se comportar como um bebê. 
Teve um dia, quando assistíamos a TV, a qual anunciava uma propaganda de fraldas descartáveis e ele pediu para que eu beijasse seus pés. Ví que a mãe neste comercial beijava os pés do bebê. E fiquei a imaginar quantas vezes ele deve ter assistido a essa propaganda - quando assistia a TV no abrigo - e, provavelmente, sentia a falta de ter uma mãe para fazer o mesmo nele. Foi de arrepiar só em pensar. Beijei, beijei, beijei…

Foram tantas novas informações e emoções: era tudo novidade! Amigos queridos que o recebeu de braços abertos, os lugares visitados, estradas nunca vistas, animais reconhecidos devido aos desenhos animados e, agora, ao vivo. 
Ao entrar pela primeira vez no mar, foi inesquecível! 
Pedir para conhecer a avó e ser tão bem recebido por toda família…momentos de puro amor e pertencimento! 
Ah! O núcleo familiar faz toda a diferença! A alegria que ele passou a esbanjar é indescritível!

Participei com muito afinco - no primeiro mês - de todas as suas aulas de judô, de natação e capoeira. No início, com ele em meu colo e, posteriormente, sentada ao lado dele dentro da sala de aula (com crianças de 3 anos ao meu redor). 
Após 1 mês, já não mais precisava estar “grudada” nele em suas aulas de esporte. Ficava atrás da porta de vidro acenando para ele a cada olhar a minha procura.

Estávamos preparados por meio de leituras, filmes e participações no grupo de apoio à adoção para diversas atitudes e observações sobre gestos, comportamentos e dizeres. E dos outros também.Tudo tem um significado. Ou melhor, tudo se resume em apenas uma necessidade: ser amado!

Não foi complicado e tampouco difícil. 

    Saber que podemos transformar e dar aquilo que mais temos, traz uma leveza e faz jus as nossas vidas 😍

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A Adaptação_P.1

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