Sutis Diferenças


Sempre ouví que, após ser mãe, a gente passa a olhar primeiro para as necessidades do filho e, depois de muito pensar, virão as nossas para aquilo que não se pode dispensar.
Há 1 ano e 9 meses tornei-me mãe e ficou evidente que é assim mesmo.

Nos 20 dias que fomos ao abrigo (processo de convivência) era nítido que uma criança criada nesta situação, as necessidades são outras, ou melhor, se resume apenas ao desejo de encontrar uma família. Ele não pedia balinha (mesmo que levássemos para ele confeitos agradáveis ao paladar infantil), nem brinquedos ou qualquer outra coisa, apenas a nossa presença, como : - Vocês voltam amanhã?

Provavelmente, como toda criança (e ser humano), tinha vontades e desejos, mas, em sua vida, isso não era cabível.

Em seu quarto, montado às pressas, logo no início, havia poucos brinquedos.
E, diferente de um bebê recém-nascido, que recebe presentes logo ao nascer, com Pedro se passou de outra forma. Ele foi gradualmente apresentado aos nossos amigos e familiares e, assim, passou a ganhar alguns regalos. Para ele, era indiferente se o que recebia era usado ou novo. 
O que ele gosta mesmo é de mostrar o seu quarto e espera que brinquem com ele.

No entanto, quando percebe que aquele brinquedo que desfruta desde quando chegou e não brinca mais, me pede para doar para as crianças que encontramos nos faróis. 
Faz o mesmo com suas roupas e sapatos. E quando algum jogo/brinquedo se danifica, ele e eu, tentamos consertar/colar/parafusar e, ao voltar da escola, me pergunta se deu certo.

Conforme foi se habituando a nossa casa, a nova rotina e já estar bem adaptado aos nossos costumes e regrinhas - como ganhar doces e balinhas nas sextas-feiras - foi nesse dia, a tarde, com Pedro no carro e em um baita trânsito (ele cansado de estar imobilizado em sua cadeira), pediu para procurar em minha bolsa por algum caramelo. 
Ele a vasculhou e nada encontrou. Ficou chateado e eu disse a ele que precisava aprender a não comer todas de uma só vez, a saber guardar para depois, pois, quem guarda, tem.

Minha resposta foi indelicada, em face de meu esgotamento diante daquele tráfego intenso (nosso carro mal se movia) e, claro, por eu não ter reparado se havia balinhas. 
E ele, replicou: - Mãe, não tem problema. Isso não faz diferença. O docinho pode ficar para depois. E, veja só, você tem tantas coisas: 4 bancos (os do carro, claro! kkk), uma mochila, esse carro e 2 squeezes. Fique tranquila, você já aprendeu e, eu, ainda estou aprendendo.

Quem mais me ensina, é ele!






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